CHARQUEADAS
A introdução do charque, uma atividade
que se desenvolveu no Rio Grande do Sul mas multiplicou riquezas por
todo o país e foi essencial na época do chamado Ciclo
do Ouro, quando era a base da alimentação das pessoas
que trabalhavam nas Minas Gerais, está ligada não a um
gaúcho, mas a um cearense, José Pinto Martins. Foi ele
que constituiu em Pelotas, em 1780, a primeira charqueada do município.
Seriam as charqueadas que, depois desse momento, se transformariam na
base da economia local e do próprio Rio Grande, por muito tempo.
O charque era amplamente utilizado na alimentação
de escravos e das camadas mais pobres da população das
cidades brasileiras. E Pelotas, em pouco tempo, se transformou em um
centro exportador do produto para o país.
Com o dinheiro advindo da atividade é
que se ergueram os prédios que ficaram conhecidos pela beleza
de sua arquitetura. E que se realizaram os saraus que transformaram
o doce em uma marca registrada da cidade.
E foi também graças à
riqueza e movimentação proporcionada pela atividade da
industrialização e comercialização do charque
que Pelotas se transformou em um importante centro cultural. Em 1831,
emancipada há pouco de Rio Grande, fundava-se na então
vila um teatro para óperas e operetas superior a qualquer outro
existente na Província. |